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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma mão lava a outra!

Não tinha maneira melhor para nos conscientizar em relação à higienização, do que o exercício que realizamos nas duas últimas aulas de Higiene e Segurança.

Semana passada cada aluno recebeu duas placas de cultura sendo uma para bactérias e uma para fungos. O exercício consistia em identificar as placas com nossos nomes e dividi-las em ANTES e DEPOIS.

No ANTES, passamos um cotonete (esses de CSI) em nossas mãos antes de lavá-las. Eu particularmente preferi coletar material debaixo das unhas, pois até então eu não tinha me conformado que terei que ficar 8 meses sem poder passar esmalte nas unhas e deixá-las curtas.

No DEPOIS voltamos a coletar material da mesma parte da mão mas depois de uma boa higienização com direito a sabão, gel bactericida e álcool 70%.

Uma semana depois voltamos para ver o resultado das colônias de microrganismos que se formaram e foi show de horror.

Minha placa de bactérias ficou sensacional. O ANTES lotado de colônias e o DEPOIS apenas com alguns pontinhos. Igualzinho a propaganda do Protex que depois que a criancinha passa o sabonete ela fica protegida, mas ainda ficam uns pontinhos dentro da proteção.

Na placa de Fungos eu coletei material de dentro na minha aliança. A minha placa ficou meio sem graça, mas a da minha amiga que fez a coleta também na aliança ficou ANIMAL literalmente!!!!

Bom depois dessa eu só tenho um conselho para vocês:

LAVEM BEM AS MÃOS!!!!!


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A culpa não foi da "Moma"...







Barra de São Miguel - Inesquecível!



Atendendo ao pedido de minha professora, vou disponibilizar o manual de boas práticas de uma peixaria. Mas antes preciso alertar a todos os meus amigos Soteropolitanos que depois de adquirido esse conhecimento nunca mais poderemos comprar peixes do Tio da Saveiro na porta da casa de Barra de São Miguel.

Eu sei que vocês vão dizer: - Que nada!! O peixe estava uma delícia...

Isso eu não posso negar. Fizemos um churrasco de Robalo sensacional. Mas, se pararmos para pensar talvez não tenha sido a “Moma” a culpada pelo “desarranjo” generalizado que atacou todos da turma em férias (menos os Vickings com anjo da guarda, é claro). Talvez, aqueles bonitos peixes acondicionados na caçamba da Varejeira – não, não quer dizer Saveiro – sejam os verdadeiros vilões.

Não posso deixar de lembrar que meu amado marido ficou um tanto assustado com as condições da peixaria “voadora”, mas todos nós achamos que era frescura de filho único que só come peito de frango bem passado. No final, ele também não resistiu ao peixe dourado da grelha e lambeu até os espinhos. Coitado!! Acabou vitimado, e ficou dias na água de coco junto com os demais.

Para facilitar a visualização dos leitores que não fazem idéia do que eu estou falando, vou fazer um breve resumo de como era a simpática peixaria ambulante em que compramos um Robalo inteiro a R$14 o quilo. Isso aconteceu na porta da casa que alugamos em Barra de São Miguel em Maceió durante as férias de veraneio de 2006.

Imaginem uma Volkswagen Saveiro vermelha parada na frente de uma casa de praia, debaixo de um sol de 34°C. Imaginem a caçamba aberta e nela um grande isopor sem tampa cheio de gelo e sobre ele peixes inteiros. Até aí nada de mais não é mesmo??? Agora imaginem moscas. Mais moscas. Muito mais moscas do que isso. Mosca suficiente para levantar a Saveiro inteira...




Para melhorar ainda a história alguém perguntou: - E essas moscas??
E o simpático Tio respondeu – Elas não me deixam...

Pois é. Felizmente ou infelizmente eu optei por adquirir conhecimentos do setor de alimentação e suas boas práticas e sendo assim não conseguirei mais consumir algo comprado nessas condições.

Como essa foi a minha escolha e não a de vocês necessariamente, vou deixar o link da apresentação com todas as informações das condições corretas de uma peixaria. A decisão de aprender será de vocês.




http://rapidshare.com/files/144494159/PROJETO_Pescados.ppt.html

Vale lembrar que as boas práticas descritas no documento referem-se especificamente às peixarias, mas é claro que podemos estender a maior parte delas para qualquer tipo de estabelecimento. Então, depois de ler o documento a compra de BODE no ambulante aos domingos também estará comprometida.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sempre fui um Viking com anjo da guarda



No inicio achei que as aulas de Higiene e Segurança fossem uma obrigação curricular e que agregariam apenas instruções que eu já sabia tais como lavar as mãos, não usar utensílios de madeira na cozinha, higienizar bem os alimentos...

Até porque, sou uma pessoa sem frescuras (e talvez até demais). Segundo meu marido, devo ter sido um Viking em outra vida. Ele não acredita quando leio um cardápio e digo: - quero uma panelinha de Moela, humm que delícia!!!! Ou então quando sirvo meu prato de feijoada com orelha, rabo, pé e língua.

Nunca tive medo de comer nada em casa ou fora. Eu como carne muito mal passada, como todos os frutos do mar, como miúdos, aves, peixes (e seus miúdos também), como receitas “ao molho pardo” (para não ficar muito chocante), enfim, não tenho restrições alimentares.

Mesmo sendo um Viking por 28 anos, não costumo ter problemas como infecções intestinais ou diarréias. Em algumas oportunidades, fui a única de um grupo que não passou mal após consumir uma refeição contaminada. Por esse motivo sempre achei que histórias como “eu não como maionese fora de casa” fossem uma grande frescura.

Pois é, mas a cada aula que passa percebo que estava completamente enganada. Primeiro que eu nunca poderia imaginar que existem doenças transmitidas por alimentos (DTA) e muito menos que elas poderiam matar. Depois que como cozinheira, serei responsável por garantir que as pessoas que provem meus dos meus pratos, não fiquem expostas aos riscos inerentes a manipulação, cocção ou armazenamento incorreto dos ingredientes.

Gostaria então de chamar a atenção de todos para esse post, pois vou dividir com vocês dicas importantíssimas para que seus hábitos em casa e em restaurantes reduzam a possibilidade de uma DTA.

Conforme eu mencionei anteriormente existem dois tipos de microrganismos nocivos: os deteriorante e os patogênicos. Os deteriorantes podem ser identificados a partir de uma analise sensorial pois o alimento muda de cor, textura, sabor e odor (só lembrar de um pão mofado – basta olhar e não comer, certo?). Já os patogênicos que transmitem as DTAs não podem ser identificados pois não alteram em nada a condição do alimento.

O único jeito de reduzir o risco de uma contaminação é a execução das boas práticas em todo o processo de preparação, consumo e armazenamento. Isso porque os piores agentes patológicos são termo resistentes, ou seja, congelar ou aquecer não irá resolver nada.

Para reduzir a carga microbiana dos alimentos a níveis seguros, deve-se manter todo alimento perecível congelado ou resfriado. O congelamento deve ocorrer uma única vez e o alimento deve ser mantido no mínimo a -18°C e por no máximo 90 dias. Isso significa que ao descongelar uma porção de carne moída por exemplo, você não poderá congelá-la novamente a não ser que ela esteja contida em uma receita, como em um molho a bolognesa. Você pode congelar o molho pois já ocorreu o processo de cocção e agendes inibidores como o Sal e os temperos foram adicionados. O seu molho poderá ser congelado também por 90 dias.

O descongelamento de um alimento é um processo que deve ser realizado com muito cuidado pois o aquecimento rápido é um cenário ideal para o desenvolvimento microbiano. Apenas para ilustrar, um Chef de cozinha americano foi responsabilizado pela hospitalização de 7 pessoas e a morte de uma delas. Segundo a investigação um dos principais motivos para a contaminação da refeição consumida foi o descongelamento de um Peru de 6Kg em temperatura ambiente.

O descongelamento de qualquer coisa pode ocorrer apenas de duas formas: em forno de microondas ou em ambiente resfriado, ou seja, na geladeira. Sendo assim, hábitos como deixar a picanha congelada dentro de uma bacia com água um dia antes do churrasco, ou colocar a feijoada congelada direto na panela com um pouco de água, precisam ser eliminados.

Os alimentos resfriados devem ser mantidos no mínimo a -4°C e por 72 horas. No caso de produtos industrializados que contem estabilizantes, acidulantes e outros agentes inibidores, deve-se levar em consideração as informações de vencimento da embalagem.

Outra instrução muito importante é deixar o alimento quente chegar a 21°C antes de congelá-lo ou resfriá-lo. Ao atingir essa temperatura sua decisão deve ser imediata pois ele não pode ficar exposto quando estiver numa temperatura inferior.

A relação tempo e temperatura e fundamental para garantir a redução da carga microbiana. No processo de cocção o alimentos devem ficar em temperaturas altas por um tempo mínimo conforme a tabela abaixo:

74°C – 5 segundos
70°C – 2 minutos
66°C – 10 minutos
65°C – 15 minutos
60°C – 30 minutos
55°C – 4 horas
52°C – 12 horas
<50°C – Não há morte dos microrganismos patogênicos.

Depois da preparação, alimentos quentes devem ser consumidos imediatamente ou em até 30 minutos. Depois desse prazo o risco de aumento da carga microbiana é gradativo.
Os alimentos frios também seguem a mesma regra.

Você deve estar se perguntando, e como fazer em um Buffet? Os alimentos expostos nesse tipo de serviço devem estar no mínimo a 60°C para isso devem ser acondicionados sobre rechaud ou em banho-maria com a água a 100°C (fervendo). Já os alimentos frios (ovos de codorna, mussarela de búfala, carpaccio, etc.) devem estar no mínimo à 10°C e para isso acondicionados sobre gelo ou equipamentos de resfriamento.

Existem fatores externos que podem retardar o desenvolvimento de microrganismos. O Sal por exemplo é um importante agente inibidor, assim como o limão por sua acidez e condimentos como ervas e especiarias.

Bem, meu objetivo é alertar vocês para hábitos e escolhas fundamentais para sua saúde. A informação é importante para evitarmos situações desagradáveis e perigosas. Eu sinceramente não fiquei neurótica e nem mudei meu gosto, mas vou evitar a salada de maionese do Boteco da esquina e vou manter as boas práticas em casa.

Agora sou um Viking consciente e espero levar essa consciência a todos os meus amigos Vikings...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Delinqüentes invisíveis

Nem o mundo microscópico está livre de maus elementos. Vimos na última aula de Microbiologia os microrganismos úteis e os microrganismos nocivos. Entre os nocivos ainda existem os deteriorantes que cometem crimes leves e de fácil investigação, e os patogênicos que cometem crimes perfeitos, ferem e/ou matam sem deixar pistas…

Os microrganismos nocivos contam com a ajuda de humanos desatentos e irresponsáveis que não se preocupam com a correta higienização dos alimentos que será consumido por ele mesmo e por outros inocentes.

Nossa, eu estou parecendo a Tia Dalva, minha professora da 3° série…Desculpem-me.

Vamos começar de novo:


Existem dois tipos de microrganismos importantes na área da alimentação: os úteis e os nocivos.

Úteis são alguns tipos de Bolores e Leveduras. Os bolores são fungos vivos que são aplicados a certos alimentos com o objetivo de atingir uma certa textura e sabor. As leveduras também são fungos vivos que promovem mudança de tamanho e fermentação dos alimentos a partir de sua respiração. Seguem alguns exemplos de alimentos que recebem cargas de microrganismos úteis: Queijo Camembert, Queijo Roquefort, Cerveja, Fermento, Vinho, Vinagre, etc.

Os nocivos são divididos em duas categorias: deteriorantes e patogênicos:

Os deteriorantes são responsáveis pelo processo de apodrecimento dos alimentos. Eles alteram a cor, o odor, a textura e o sabor dos alimentos permitindo uma análise sensorial.

Aqui temos um ponto de atenção. Não adianta abrir uma caixa de morango e tirar apenas um moranguinho meio esbranquiçado ou cortar apenas o pedaço do mamão que estava escurinho e comer o resto. Temos que descartar todo o alimento, pois ele pode estar totalmente comprometido.

Os patogênicos são causadores de DTAs (doenças transmitidas por alimentos) e não apresentam alterações perceptíveis a uma análise sensorial. Eles ainda são termo resistentes o que significa que mesmo altas temperaturas não os eliminam.

Vocês devem estar pensando? Se eu não tenho como identificar um alimento infectado como evitar uma DTA???

Manipulação e armazenamentos corretos. Seguem os fatores relacionados à multiplicação microbiana:

• armazenamento de alimentos em temperatura ambiente
• resfriamento inadequado
• preparação com antecedência superior à 12 horas para o consumo
• utilização incorreta de sobras
• descongelamento incorreto
• coccção inadequada


No próximo post sobre esse assunto, veremos quais os procedimentos corretos para reduzir os riscos de contaminação.

Não percam, hein!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Como desistir da gastronomia em uma aula

Amigos, ontem tivemos uma aula que quase fez metade da turma desistir do curso. Ao ler o nome da matéria, HIGIENE e SEGURANÇA, nem passou pela minha cabeça que iríamos assistir cenas de horror em slides. Pois é, saí com dor de cabeça e estômago embrulhado após uma seção de fotos de alimentos contaminados.

Prometi dividir tudo com vocês, mas fiquem tranqüilos pois irei poupá-los da descrição minuciosa da aula. Afinal, como já disse há alguns posts, vocês serão minhas cobaias e futuros clientes, portanto, detalhes sobre o que vi seria um tiro nas regras básicas de Marketing. (Olha a propaganda subliminar...ririri...tá todo mundo curioso que eu sei...ririri!!!)

Se o objetivo da professora era nos assustar ela conseguiu. No inicio estava tudo tranqüilo. Ela nos apresentou o mundo das bactérias, fez uma introdução à Microbiologia, mostrou os meios de contaminação, as categorias dos microorganismos patogênicos dentre outras coisas. Claro que durante sua explanação ela foi incisiva em relação à nossa responsabilidade como futuros profissionais da alimentação com a integridade física de nossos clientes.

Vocês sabiam que somos uma fonte de contaminação? Provavelmente todos vocês já ouviram isso de mães e médicos, mas para ficar bem claro vamos quantificar:

UFC significa Unidade Formadora de Colônia de bactérias.



A mão humana possui 10^4 UFCs por cm²
A saliva possui 10^8 UFCs por ml
A placa dentária possui 10^10 UFCs por cm²
O intestino grosso possui 10^13 UFCs por cm²
e para fechar com chave de ouro,
1 grama de fezes possui até 10^15 UFCs.

Imagino que nesse momento vocês devem estar desesperados para lavar as mãos....

Vocês sabiam que existem espécies de bactérias de meningite que precisam de apenas um metro de distância para contaminar outro individuo??

Enfim, a querida professora nos liberou para o intervalo e depois de não conseguirmos comer nada na lanchonete “limpinha” do campus voltamos para a sala achando que todas aquelas informações desagradáveis teriam acabado...Santa inocência. O pior é que está apenas começando pois teremos aulas práticas num laboratório de Microbiologia. Já imaginaram???

Espero que tudo melhore hoje à noite. Até amanhã.

PS: Amigo Guiga você deve estar rindo a toa, não é mesmo???